Justiça
Justiça da Bahia aceita queixa-crime contra apresentador por fake news

Foto: Reprodução
A Justiça da Bahia recebeu a queixa-crime movida por Wiliam Pinheiro Moura, motorista por aplicativo de 31 anos, contra o apresentador Marcelo Valter Amorim Matos Lyrio Castro, conhecido como Marcelo Castro ou “Alô Juca”, da TV Aratu/SBT. A ação, protocolada em 11 de novembro de 2025, foi aceita pela 3ª Vara Criminal da Comarca de Vitória da Conquista e acusa o comunicador dos crimes de calúnia, difamação e injúria.
Segundo a defesa, o apresentador vinculou de forma falsa o nome e a imagem de Wiliam a uma facção criminosa durante o programa “Alô Juca”, exibido em 29 de outubro, afirmando que ele teria sido preso na megaoperação Contenção, no Rio de Janeiro, que resultou em mais de 120 mortos. A informação, transmitida ao vivo e replicada nas redes sociais, ultrapassou 270 mil visualizações e permanece disponível online, causando sérios prejuízos à imagem e à segurança do motorista.
Principais pontos do caso
– Erro grave: a defesa afirma que nenhuma pessoa chamada Wiliam foi presa nos dias 28 e 29 de outubro.
– Prazo judicial: o apresentador tem até 10 dias para apresentar defesa; caso contrário, a Defensoria Pública será nomeada.
– Indenização: além da ação penal privada, a defesa prepara pedido de reparação por danos morais e materiais.
– Repercussão: reportagem do Balanço Geral (Record Bahia Itabuna) mostrou como a fake news destruiu a rotina do motorista.
– Impacto pessoal: Wiliam relata medo de sair de casa, impossibilidade de trabalhar e isolamento social.
– Risco real: ao ser associado ao Comando Vermelho, o motorista passou a viver sob ameaça, devido à disputa entre facções na Bahia.
Voz da vítima
Em entrevista, Wiliam contou que estava em casa preparando almoço quando começou a receber vídeos e ligações informando que seu nome estava sendo divulgado como suspeito preso no Rio. Sem antecedentes criminais e sem nunca ter estado na capital fluminense, ele afirma ter entrado em desespero ao ver sua foto — retirada de sua carteira de habilitação — circulando como prova de uma acusação falsa.
Desde então, não voltou ao trabalho e vive recluso com a namorada, que relatou que a família está emocionalmente fragilizada e teme julgamentos injustos.
-O que vem pela frente
O processo segue em andamento na Justiça baiana. Enquanto isso, a defesa de Wiliam busca responsabilizar judicialmente os envolvidos e restaurar sua imagem pública. O caso reacende o debate sobre responsabilidade na comunicação, checagem de informações e os efeitos devastadores das fake news na vida de cidadãos comuns.
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