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STF debate futuro das bets, mas adia decisão sobre proibição das apostas esportivas no Brasil

Foto: Rosinei Coutinho / STF

Debate reuniu clubes de futebol, entidades esportivas, representantes do governo e do setor de apostas para discutir os impactos da proibição das bets no Brasil
O Supremo Tribunal Federal (STF) realizou nesta terça-feira (3) uma audiência pública para discutir os efeitos da Medida Provisória nº 1.394/2026, editada pelo governo federal, que proíbe a exploração, oferta e publicidade das apostas esportivas de quota fixa, conhecidas como “bets”, em todo o território nacional.

A sessão foi conduzida pelo ministro Luiz Fux, relator das ações que questionam a constitucionalidade da medida. O encontro reuniu representantes de clubes de futebol, órgãos públicos, associações do setor de apostas, entidades esportivas e integrantes da sociedade civil.

Nenhuma decisão foi tomada
Apesar da grande expectativa em torno do tema, a audiência desta terça-feira teve caráter consultivo. Ou seja, o STF não decidiu pela manutenção nem pelo fim definitivo das bets.
O objetivo foi ouvir argumentos favoráveis e contrários à proibição para subsidiar o julgamento das ações que tramitam na Corte. A decisão final deverá ocorrer posteriormente, durante o julgamento do mérito pelo plenário do STF.

O que disse o ministro Luiz Fux
Na abertura dos trabalhos, o ministro Luiz Fux afirmou que as apostas esportivas têm provocado consequências sociais e psicológicas relevantes, especialmente relacionadas à ludopatia, transtorno caracterizado pelo vício em jogos. Ele destacou ter sido convencido, após debates anteriores sobre o tema, de que as bets representam um problema de saúde pública.

Fux também rebateu críticas de que a audiência teria privilegiado apenas representantes de empresas e clubes de futebol. Segundo ele, diversos setores da sociedade foram convidados a participar das discussões.

Clubes defendem manutenção das apostas
Representantes de 11 clubes participaram da audiência, entre eles Flamengo, Fluminense, Botafogo, Cruzeiro, São Paulo, Corinthians, Grêmio e Vitória.

Durante as manifestações, dirigentes afirmaram que a proibição das bets pode causar perdas milionárias aos clubes brasileiros, afetando contratos de patrocínio, arrecadação e empregos ligados ao esporte.

O Flamengo argumentou que poderia sofrer prejuízos de centenas de milhões de reais e impacto sobre postos de trabalho. Já representantes do Fluminense defenderam que o prejuízo econômico para clubes e trabalhadores do futebol também deve ser considerado no debate.

Governo defende a proibição
O governo federal sustenta que a medida foi adotada devido aos efeitos negativos das apostas online, como o endividamento de famílias, problemas de saúde mental e aumento da dependência em jogos de azar.

A Advocacia-Geral da União (AGU), ministérios e outros órgãos públicos também participaram das discussões realizadas no STF.

O que acontece agora?
Após a audiência pública, o ministro Luiz Fux analisará os argumentos apresentados pelas partes. Somente depois disso as ações deverão ser levadas para julgamento no STF.
Até o momento, portanto, as bets continuam proibidas pela Medida Provisória do governo, mas a validade da proibição ainda será decidida pelo Supremo Tribunal Federal.

Audiência pública reuniu clubes, governo e especialistas. Ministro Luiz Fux ouviu argumentos favoráveis e contrários à medida que proibiu as bets, mas julgamento ainda não tem data definida.

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