Vitória da Conquista
Vitória da Conquista:Câmara aprova criação de 74 cargos comissionados em meio a tensão política

A sessão desta quarta-feira (29) na Câmara Municipal de Vitória da Conquista foi marcada por intensos debates e articulações que culminaram na aprovação de um pacote de projetos de lei do Executivo. As propostas, que criam 74 novos cargos comissionados na Prefeitura, receberam 13 votos favoráveis e 7 contrários, revelando uma divisão significativa entre os parlamentares.
O resultado surpreendeu pelo apoio de parte da oposição, que se somou à base governista para garantir a maioria simples necessária. Entre os votos decisivos estiveram os da vereadora Gabriela Garrido (PV), Ricardo Gordo (PSB) e Cris Rocha (MDB). Já nomes tradicionais da oposição, como Fernando Jacaré (PT) e Alexandre Xandó (PT), mantiveram posição firme contra a medida.
Os projetos aprovados — entre eles os PLC nº 43/2025, nº 44/2025, nº 45/2025 e nº 05/2026 — promovem uma reestruturação administrativa em secretarias estratégicas, ampliando significativamente os cargos de livre nomeação. A Secretaria de Serviços Públicos, por exemplo, passará de 8 para 21 cargos; já a de Gestão e Inovação, de 19 para 46.,
Críticas não faltaram. A vereadora Leia de Quinho (PSD) alertou para o impacto financeiro e questionou a prioridade da medida em ano eleitoral: “Estamos em um ano eleitoral e o marido da prefeita é pré-candidato a deputado estadual. Qualquer ampliação de cargos comissionados gera questionamentos legítimos”, afirmou. Alexandre Xandó (PT) reforçou a cobrança pela convocação de concursados e lembrou que áreas como saúde e educação seguem com demandas urgentes. Já Diogo Azevedo (PSDB) destacou sua independência política e criticou o aumento de despesas diante da falta de medicamentos e atrasos em pagamentos na rede de saúde.
Apesar das divergências, a prefeita Sheila Lemos (União Brasil) conseguiu consolidar apoio suficiente para aprovar a proposta, fortalecendo sua base política e ampliando o espaço de articulação dentro da administração municipal. O episódio expõe não apenas a disputa de narrativas sobre prioridades da gestão, mas também os movimentos estratégicos que já apontam para o cenário eleitoral de 2026.








