Política
Vereador preso em operação contra o PCC deixa o PT em São Paulo

O vereador Senival Pereira de Moura, líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara Municipal de São Paulo, pediu afastamento da legenda após ser preso na Operação Última Parada, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. Moura é apontado como uma das figuras centrais em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).A operaçãoA investigação teve como foco a empresa de ônibus Transunião Transportes S.A., que atua na Zona Leste da capital. Segundo os investigadores, a companhia seria utilizada para movimentar recursos ilícitos da facção criminosa. Foram bloqueados cerca de R$ 194 milhões em contas bancárias e apreendidos 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações.
Interceptações telefônicas e documentos apreendidos indicam que Moura seria o “dono oculto” da empresa, controlando repasses e decisões financeiras. Em mensagens, era chamado de “presidente”, “véio” e “vereador”.Perfil políticoSenival Moura está em seu sexto mandato como vereador e ocupava cargos de destaque, como primeiro-secretário da Mesa Diretora e presidente da Comissão de Trânsito e Transporte. Sua trajetória política começou nos anos 1970, ligada ao movimento dos “perueiros” na Zona Leste.O parlamentar já havia sido investigado em 2022 por suspeita de envolvimento na morte de Adauto Soares Jorge, ex-diretor da Transunião.
Reação e defesaEm nota, o PT confirmou o afastamento temporário e informou que a Comissão de Ética foi acionada para avaliar o caso. A defesa do vereador declarou que ele recebeu a prisão com “profunda indignação” e que provará sua inocência.Impacto políticoA prisão de Senival Moura gera forte repercussão na política paulistana, especialmente por sua influência no setor de transportes. O episódio reacende o debate sobre a infiltração do crime organizado em contratos públicos e pressiona partidos a reforçarem mecanismos de controle interno.








