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Brasil

Menina que morou em hospital desde o nascimento recebe alta após 7 anos

Divulgação / Hospital da Criança e Maternidade (HCM), de São José do Rio Preto

A noite desta terça-feira (2/6) terá um significado completamente inédito e emocionante para a família da pequena Maria Clara, de 7 anos. Pela primeira vez desde o seu nascimento, a menina vai dormir no aconchego de sua própria casa, ao lado da mãe e das irmãs. Maria Clara recebeu uma alta histórica do Hospital da Criança e Maternidade (HCM) de São José do Rio Preto, no interior paulista, encerrando um ciclo de sete anos onde as paredes do hospital eram o único lar que ela conhecia.

Entenda a Condição Rara
A longa jornada de internação começou logo nos primeiros dias de vida da menina. Maria Clara nasceu com uma condição rara de saúde chamada atresia intestinal — uma malformação congênita severa que compromete gravemente o desenvolvimento e o funcionamento do sistema digestivo.

Para sobreviver, a menina precisou ser submetida a uma série de cirurgias complexas logo recém-nascida. Devido à incapacidade do órgão de processar alimentos, ela passou anos dependendo exclusivamente de nutrição parenteral, um método onde todos os nutrientes essenciais para a sua sobrevivência e crescimento eram administrados diretamente em suas veias. Por conta dessa infraestrutura pesada de suporte à vida, as raras saídas do hospital eram curtas e obrigatoriamente escoltadas por equipes médicas.

O Despertar do Intestino e o Sonho da Mãe
O cenário que parecia permanente mudou graças à resiliência da paciente e à dedicação do corpo clínico. De acordo com a gastroenterologista pediátrica Mariana Napolitano, que acompanha o caso, a evolução da paciente foi fruto de anos de um rigoroso tratamento especializado. Com o tempo, o organismo de Maria Clara realizou uma adaptação surpreendente, e o intestino passou a funcionar de forma suficiente para permitir que ela seguisse os cuidados fora do ambiente hospitalar.

Para a mãe, Angélica Priscila de Oliveira, a alta é a realização de um sonho que muitos julgavam impossível, já que no início ouviu prognósticos de que a filha poderia passar a vida inteira em uma cama de hospital.

“É uma emoção muito grande. Esperei por isso durante muito tempo. Hoje é só gratidão”, celebrou Angélica.

Próximos Passos e Adaptação
A transição para a vida comum será feita de forma cuidadosa e gradual. Como Maria Clara passou a vida sem experimentar a alimentação convencional, ela ainda utiliza uma fórmula nutricional especial para garantir o suporte calórico. A expectativa dos médicos é que a convivência diária com a família, sentando-se à mesa para as refeições e interagindo com as irmãs, atue como um estímulo psicológico e motor para que ela desenvolva, aos poucos, hábitos alimentares normais. A partir de agora, ela poderá experimentar o que o mundo exterior tem a oferecer: brincar no quintal, frequentar a escola e viver longe dos aparelhos.

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